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27 de agosto de 2016

A resposta é 42: Qual é o público alvo?

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Para todos, uma piscadinha da Ram!
Yo! Faz tempo que não posto nada dessa coluna, mas cá estou novamente. O texto de hoje ainda é uma republicação atualizada e revisada de uma edição da coluna que publiquei no “falecido” Anime Portfolio. Porém, tentarei manter a meta de publicar um texto por mês (sei que originalmente a coluna era semanal, mas não há como... Torçam por mim!) dessa coluna alternando republicações com textos novos.

Enfim, ao som de uma mixagem da abertura de Working com uma música dos Beastie Boys (clique aqui e confira) estou aqui escrevendo mais uma edição da coluna “A resposta é 42”. Essa coluna sem sombra de dúvida é uma das mais difíceis de escrever, mas difícil mesmo é pensar em temas interessantes para escrever, porque o tema tem que me agradar e porque gostaria de escrever sobre assuntos que sejam interessantes para meus leitores, ou seja, para meu público alvo. E ao pensar neste assunto que veio a ideia de falar um pouco sobre o público alvo e sobre alguns elementos bastante usados hoje em dia para atrair diversos públicos fãs de anime e mangá.



Apesar de ainda haver muita gente que pensa que o público alvo das animações e dos quadrinhos é primordialmente infantil, quem conhece bem estas mídias sabe que estão muito enganados e que o público é bem mais abrangente, interessando desde crianças com menos de 5 anos até adultos com mais de 60 - mas o que crianças de 5 anos assistem não interessa à maioria dos adultos com mais de 60 e vice versa!  Para cada público, existem elementos e estilos de narrativas que são necessárias. Exemplificando isto podemos simplesmente observar a existência ou não de kanjis e furiganas em mangás.

Para quem não conhece nada da língua japonesa eu explico, Kanji é um alfabeto baseado em símbolos nascido na China que foi exportado para o Japão, em geral ele é de difícil compreensão e é utilizado apenas para expressar algumas ideias. Por ser de difícil compreensão, em textos destinados a crianças e jovens, ou seja, para pessoas que ainda estão em meio ao aprendizado destes Kanjis, é usado o furigana, que seria como o Kanji é escrito no alfabeto hiragana, o alfabeto mais simples usado no Japão. Embora maior e silábico o Hiragana se assemelha mais ao nosso alfabeto ocidental em termo estrutural. O furigana é disposto em um tamanho pequeno acima dos Kanjis aos quais eles são associados - em resumo, quadrinhos destinados a pessoas adultas não possuem furiganas, os destinados a adolescentes possuem furiganas e nos infantis não existem Kanjis.

Hoje em dia podemos dizer que público alvo é tudo quando pensamos em marketing e em como uma história é direcionada, porque agradar diversos públicos pode causar o processo inverso, ou seja, desagradar à maioria dos leitores ou espectadores. Por isso que é preciso se utilizar de estratégias para alcançar públicos específicos e nunca exagerar para tentar chamar atenção de todos.

Primeiramente, o que mais agrada cada público pode ser descoberto por amostragem. Podemos começar partindo do princípio básico de que lutas agradam garotos e romance agradam garotas, ou pelo menos esta é uma percepção obtida após muito tempo. Além disso, jovens gostam de histórias mais simples e exageradas, enquanto adultos preferem histórias mais complexas e realistas. Tendo isso como base já fica fácil identificarmos a que público muitas obras são direcionadas.

Olhando-se um pouco para a história dos mangás e animes, perceberemos que muita coisa mudou e observando com mais clareza podemos perceber que isto ocorreu devido ao que podemos chamar de evolução ou direcionamento mais elaborado para o público, por isso que muitos criticam o porquê de hoje em dia obras como Hokuto no Ken não serem mais comuns em revistas para adolescentes, em vez disso temos obras como Boku no Hero Academia. 

Muito se fala que o público mudou neste período de tempo e isto não deixa de ser verdade, mas você caro leitor, já parou para pensar que talvez o público que assistia Hokuto no Ken não é o mesmo que assiste Boku no Hero Academia, não porque o público necessariamente mudou, mas porque Hokuto no Ken não é interessante para quem ver Boku no Hero Academia e vice versa, mesmo que a priori ambos sejam para o público adolescente.


Ao longo do tempo é fácil perceber que não apenas a sociedade mudou de forma a não aceitar as mesmas coisas de tempos passados, mas também se percebe o que mais agrada a cada espectador mudou. 

Por exemplo, vejamos algumas séries de batalha dos anos 80 e 90, Hunter x Hunter e Saint Seiya possuem protagonistas fortes e a priori bondosos, mas já repararam como tem fãs que preferem os personagens anti-heróis que andam junto ao protagonista como são os casos do Killua e do Kurapika em Hunter x Hunter e do Ikki em Saint Seiya. Naquela época era comum termos anti-heróis, mas dificilmente eles eram protagonistas, no máximo um Yusuke, que era um briguento, mas de bom coração. Hoje em dia já viram a penca de anti-heróis, inclusive em seus conceitos, que existem. Mafiosos, Meio-demônios, Assasinos, Ladrões, todos com bom coração, mas não completamente bons. Nos anos 80 tínhamos Kenshiro em Hokuto no ken é bem verdade, mas como um todo Hokuto no Ken hoje seria um seinen, enquanto que as outras obras citadas ainda seriam shonens (e ainda é questionável se o Kenshiro é mesmo um anti-herói).

O josei é um gênero bastante novo se comparado ao shounen, o shoujo e o seinen, tanto que séries josei ainda concorrem em alguns prêmios como se fossem séries shoujo. Em sumo o josei surgiu ao se perceber que existia um público feminino que não gostava de ver aquele lado extremamente puro e inocente das protagonistas de shoujo, mas gostava de ver situações complicadas pelas quais estas passavam, além disso, percebeu-se que este público queria ver uma garota menos inocente, que tivesse preocupações amorosas, mas que também tivesse coragem de falar abertamente sobre sexo e enfrentar problemas da sociedade. Em outras palavras queriam histórias mais próximas das tramas realistas de alguns seinens, mas que não perdessem aquele olhar feminino. 

O público do josei não se criou ou mudou, ele existia antes, mas não era explorado. Quando as editoras perceberam que aquelas suas leitoras deixavam de ler seus mangás quando envelheciam, mas que fazendo histórias com os elementos acima citados elas continuavam lendo, perceberam todo esse novo mercado que possuíam, e decidiram criar material para este público, com isso surgiram os joseis.

Da mesma forma que se percebeu e que havia público para o jousei, vários outros gêneros ou subgêneros começaram a ser mais explorados devido a estas percepções, com isso muitos outros tipos de obras começaram a nascer. Um dos gêneros que mais ganhou com isso foi a comédia que deixou de ser um característica, para se tornar um subgênero e até gênero principal em alguns casos. Em sumo houve um direcionamento maior de obras diversas para cada público.

Voltemos à questão de Hokuto no Ken e outras obras famosas nos anos 80 e 90. Não podemos dizer que estas não faria sucesso hoje em dia, mas com certeza seriam direcionadas a outros públicos, aliás, muitas obras que perduram por mais de duas décadas já mudaram de estilo e passaram a ser direcionadas a novos públicos, por exemplo, Jojo’s Bizarre Adventure, que era uma série shounen a princípio, mas hoje é uma série seinen. Continua tendo seu público, só que não é mais direcionada a adolescentes e pré-adolescentes.

Com o direcionamento de público, percebe-se que nichos antes nem imaginados, surgiram, ou simplesmente foram descobertos e com isso novas tendências foram criadas. Ente estes novos públicos podemos ver o público mais otaku, fã de lolicon e estereótipos femininos bem definidos; As fujoshis, que são fãs de romances homossexuais; E o público que gosta de gore e guro (grotesco).

Claro que ao se perceber novos públicos, foram percebidos os clichês e os elementos que agradavam mais cada público, como o excesso de referências em shounens de comédia, ou apresentações impactantes no meio de lutas em shounens de batalha, a jogada especial em séries de esporte, o exagero em séries shounens em geral, o excesso de closes em shoujos, cerejeiras também em shoujos, fora a estereotipagem dos personagens.

Surgem as Tsunderes e as Yanderes, personagens com personalidades e com características bem definidas que se tornam cada vez mais famosas entre o público shounen, e por vezes, seinen, além disso, temos no shoujo os garotos que desprezam as personagens principais, o personagem uke ou seme em obras para fujoshis e por aí vai. Personagens com personalidade fortes, sortudas, mulheres com corpos suntuosos, protagonistas bobões, irmãs mais novas, irmãos mais velhos, mulher ou homem adulto com aparência de criança, lolicon e shotacon. Os mais diversos estereótipos foram criados para atrair os mais diversos públicos.


Com abrangência de público surge uma maior demanda para as mais diversas histórias gerando uma diversificação extremamente proveitosa, porém também surge a diferenciação no número de pessoas de cada nicho. Por mais que haja vários, existem aqueles nichos que possuem mais e menos integrantes, o que causa também um direcionamento maior para os nichos com mais pessoas, assim é fácil explicar por exemplo porque hoje em dia vemos tantas obras como Naruto, One Piece, Boku no Hero Academia, Gakusen Toshi Asterisk, Sword Art Online, Kimi ni todoke, Orange, Gintama e assim por diante. A resposta é o retorno maior dos públicos alvos destas obras. 

Obras como City Hunter, Hyper Police e até mesmo Cowboy Bebop, que são filhos de uma época com valores diferentes se tornaram interessantes a um público que não é mais a maioria e com isso se tornaram cada vez menos frequentes na mídia animada e nas principais revistas, que visam, de forma acertada, atingir os nichos com maiores públicos. É como, por exemplo, comparar o Rock hoje em dia e nos anos 60 a 80, fácil perceber o que fazia sucesso naquela época e o que faz sucesso hoje, mesmo que ainda existam algumas bandas como as antigas.


Em resumo este texto quis mostrar um pouco como o público é o elemento que move as mídias, no caso, os animes e mangás. Por um lado a diversificação garante histórias que abrangem púbicos muito diferentes, por outro lado cria nichos e faz com que certas obras fiquem a margem da “sociedade comum”. A série Bakuman é um ótimo retrato de como o público e as tendências movem as histórias e como isso leva também os autores a criarem obras mais direcionadas. 

Espero que este texto tenha ajudado a perceberem a importância de se pensar no público alvo de cada obra. Além disso, quando se fala que uma história é filha de uma época, significa que podemos entender melhor quem lia e o que liam na época que a história era vigente. Hoje em dia não houve uma diminuição de gêneros, pelo contrário, existe uma diversidade maior, porém a maioria não está em evidência. Finalmente pelo que você, caro leitor, antes de criticar a sociedade atual e as obras que existem hoje em dia procure em lugares diferentes, tenho certeza que você verá que aquilo que você gostava ainda é publicado e que aquilo que você nem sabia que existia, mas que parece interessante existe.

Com isso termino mais esta longa edição da coluna “A resposta é 42” e espero que tenham gostado e antes que me esqueça, as perguntas que retiro do texto e lhes deixo essa semana são: A que tipo de nicho vocês pertencem? O que vocês viam quando eram crianças? O que viam quando eram adolescentes? E agora (caso já não sejam mais adolescentes) o que gostam de assistir e ler? 

Até mais (EFE)!
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26 de agosto de 2016

Mestres Mangakás: Fuuka Mizutani

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Olá caros leitores, há quanto tempo não escrevo por aqui né? Hoje irei apresentar um pouco da história da mestre mangaká Fuuka Mizutani, que foi a primeira a ganhar uma edição especial sobre um autor específico lá no Mangacotecast.

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25 de agosto de 2016

Comentários semanais: Re:Zero kara Hajimeru Isekai Seikatsu #21

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Por Tadashi Katsuren (Gabriel Katsu)

Olá a todos! Peço perdão pelo atraso desta semana (como também da semana anterior), mas uma monografia passou pelo meu caminho e agora já se foi! Sou Tadashi Katsuren, ou Gabriel Katsu, e estou aqui para analisar com vocês o episódio 21 de Re:Zero kara Hajimeru Isekai Seikatsu, em que conferimos o fim deste pequeno arco dentro de um maior, no qual o enfoque é a Baleia Branca.
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22 de agosto de 2016

Mangacotecast #9: Mangás da Temporada de Verão de 2016

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Olá! Está no ar a nona edição do Mangacotecast, o podcast de mangá do Animecote e do Yopinando que também conta com a participação de pessoas de outros blogs/sites eventualmente. Nessa edição Eu (Evilasio Junior), Tadashi Katsuren e Erick Dias, do Animecote, comentamos, em duas edições separadas, nossa experiência inicial com 6 mangás que tiveram adaptações de animes na atual temporada de verão.

Discord do Yopinando: https://discord.gg/0tyRsdq00JnkXs6O
Feed de Podcasts do Yopinando: http://feeds.rapidfeeds.com/45097/ | Clique aqui para ver os podcasts do Yopinando no Itunes.

Blogs/Sites/Comunidades Participantes:

MyAnimeList dos Participantes:



Mangacotecast #9: Mangás da Temporada de Verão de 2016 - Parte 1


Duração: 01:42:23

Podcast: Download Alta Qualidade (70,3 mb) | Download Média Qualidade (46,9 mb)
Download alternativo: Clique aqui (Mediafire)

Blocos:
  • 00:00:00 – Introdução
  • 00:16:25 – Mangás da Temporada de Verão 2016 - Parte 1
  • 01:09:21 – Adaptações de Mangás da Temporada de Verão 2016 - Parte 1
  • 01:33:13 – Considerações finais

Mangás Comentados Nessa Edição:

Músicas das Transições:
  • Transição para Bloco 1 – "Umi no Koe" by Kiritani Kenta
  • Transição para Bloco 2 – "Atashi dake ni Kakete" by Omokage Lucky Hole
  • Transição para Considerações finais – "Hooked on a Feeling" by Blue Swede

BGM’s:



Mangacotecast #9: Mangás da Temporada de Verão de 2016 - Parte 2


Duração: 01:34:19

Podcast: Download Alta Qualidade (64,8 mb) | Download Média Qualidade (43,2 mb)
Download alternativo: Clique aqui (Mediafire)

Blocos:

  • 00:00:00 – Introdução
  • 00:08:30 – Mangás da Temporada de Verão 2016 - Parte 2
  • 00:56:40 – Adaptações de Mangás da Temporada de Verão 2016 - Parte 2
  • 01:22:46 – Considerações finais

Mangás Comentados Nessa Edição:


Músicas das Transições:

  • Transição para Bloco 1 – "Merry Christmas Mr Lawrence" by Ryuichi Sakamoto
  • Transição para Bloco 2 – "Kiiroi Vacances" by Momotsuki Gakuen 1 Nen C Gumi
  • Transição para Considerações finais – "My Way" by Frank Sinatra

BGM’s:

  • "99" by MOB CHOIR
  • "Refrain Boy" by ALL OFF
  • "Button" by PENGUIN RESEARCH
  • ReLIFE - リライフ 「Full Ending Songs」
  • Album Dr.Izzy by Unison Square Garden
  • Album Dugout Accident by Unison Square Garden
  • "Sugar Song to Bitter Step" by Nico Nico Chorus
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21 de agosto de 2016

Entrevista com os produtores japoneses e os dubladores americanos de Boku no Hero Academia

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Enquanto o Animecote não passa por um período dos mais favoráveis devido à falta de tempo da maioria de seus colaboradores, trago-lhes mais uma entrevista traduzida do site Anime News Network, dessa vez focada no popular "Boku no Hero Academia" - mangá publicado desde 2014 na Weekly Shounen Jump, e que recentemente teve sua primeira série de TV produzida pelo estúdio Bones.

Tal entrevista se passou durante o Anime Expo (1 a 4 de julho), que é hoje o maior evento de animes da América do Norte. Com algumas respostas bacanas, mas nada tão aprofundado, os participantes dela foram dois membros da equipe de produção do anime e dois dubladores da versão americana, que serão apresentados logo abaixo. A entrevista foi traduzida na íntegra, incluindo a introdução - clique aqui para ver a postagem original, feita pelo entrevistador Jacob Hope Chapman.

Além disso, no final da postagem há também uma pequena enquete onde pergunto qual entrevista gostariam de ver traduzida nas próximas semanas, todas também publicadas no ANN.
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20 de agosto de 2016

Resenha: Kamikaze Kaitou Jeanne

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Por Escritora Otaku

Fazia um bom tempo que queria ver esta série. Após gravar todos os episódios, comecei a assisti-la e a primeira coisa que me pegou de surpresa foi uma das vozes do elenco principal: a dubladora em questão (Naoko Matsui) faz a Suzuki Sonoko de “Detective Conan”, e sabem como fico quando reconheço dubladores deste anime - sendo que episódios depois surgiu outro dublador mais conhecido e aí, minha relação com a série apenas melhorou. Com isto, se confirma que muitas vezes alguns de nós assistem certos animes apenas por causa do dublador X ou Y que gostamos de ouvir.

Graças a isso deu pra aguentar boa parte do começo da série, pois estava muito óbvia demais - porém após dezoito a vinte episódios, aí sim, a história evolui de tal maneira que seu começo e final são totalmente diferentes. Há animações que apenas melhoram depois de vários episódios e este foi um desses casos.

Seguindo a cartilha básica de um mahou shoujo, “Kamikaze Kaitou Jeanne” pode mesmo não ser grande coisa em seu começo, ma não deve deixar se desanimar. No momento que a história melhora, te prende de tal forma que só dá pra largar depois de certos desdobramentos - portanto, ter paciência é uma virtude quando animes começam de forma lenta e aceleram conforme passam os episódios em questão.


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